Quando perguntamos quem foi crucificado com Jesus, a resposta aparece de maneira clara nos Evangelhos: dois homens foram executados ao lado de Cristo no momento de sua crucificação. Eles foram colocados um de cada lado de Jesus, enquanto ele permanecia no centro. Mateus 27:38 e Marcos 15:27 mencionam dois criminosos crucificados juntamente com ele, enquanto Lucas 23:32-33 também registra a presença de dois malfeitores. João 19:18, por sua vez, confirma que Jesus foi crucificado entre outros dois homens. Portanto, quem foi crucificado com Jesus não foram discípulos ou pessoas próximas a ele, mas dois condenados que também receberam a pena de crucificação.
O que cada Evangelho informa
Mateus 27:38 e Marcos 15:27 descrevem dois homens crucificados, um de cada lado de Jesus. Mateus 27:44 e Marcos 15:32 dizem que os crucificados também o insultavam. Lucas 23:39–43 apresenta um contraste: um o provoca, enquanto o outro reconhece sua culpa, declara a inocência de Jesus e pede para ser lembrado em seu Reino. João 19:18 informa a posição dos três, sem registrar esse diálogo.
Essa diferença não deve ser apagada dizendo que todos os Evangelhos contam as mesmas atitudes. Uma harmonização cristã possível entende que um dos homens mudou de atitude ao longo da execução; essa sequência é uma proposta interpretativa, não uma cronologia explicitada pelos relatos. Separar observação e harmonização ajuda a comparar as passagens com precisão.
Nomes e crimes: quais são os limites da informação?
Uma das questões mais comuns sobre quem foi crucificado com Jesus é justamente a identidade desses dois homens. Diferentemente de outros personagens mencionados nos Evangelhos, eles não recebem nomes nos relatos de Mateus, Marcos e João. Lucas também não apresenta seus nomes, concentrando sua narrativa principalmente no diálogo entre Jesus e um deles. Isso significa que nomes posteriormente atribuídos aos criminosos pertencem a tradições ou escritos posteriores, e não ao texto dos quatro Evangelhos. Portanto, quando perguntamos quem foi crucificado com Jesus, é importante separar aquilo que a Bíblia afirma diretamente daquilo que surgiu posteriormente na tradição cristã.
Outro ponto que merece atenção é a diferença entre as palavras utilizadas para descrever quem foi crucificado com Jesus. Em algumas traduções bíblicas, Mateus e Marcos apresentam os dois homens como “ladrões”, enquanto Lucas utiliza o termo “malfeitores”. Outras versões podem empregar palavras como “criminosos” ou “delinquentes”. Essas diferenças estão relacionadas à tradução dos termos presentes nos manuscritos gregos e não significam necessariamente que os Evangelhos estejam falando de pessoas diferentes. O ponto essencial é que eram homens condenados à morte que estavam sendo executados juntamente com Jesus. Por isso, ao estudar quem foi crucificado com Jesus, é importante considerar a tradução utilizada e o contexto de cada passagem bíblica.
As designações não permitem reconstruir crimes específicos, a data de prisão ou uma relação anterior entre os condenados. Nem o arrependimento de um deles revela sua história completa. O texto oferece o suficiente para entender a cena, não um processo criminal detalhado.
Por que Jesus foi crucificado entre dois criminosos?
A posição de Jesus no centro dos dois condenados também possui um significado importante dentro da narrativa dos Evangelhos. Ao responder quem foi crucificado com Jesus, encontramos dois criminosos colocados um de cada lado dele. A disposição ganha significado dentro da narrativa. Jesus, que segundo os Evangelhos era inocente, foi tratado publicamente como um condenado. Ele sofreu a mesma humilhação, recebeu a mesma sentença e foi executado no mesmo lugar que homens considerados transgressores pelas autoridades. A cruz, portanto, não representou apenas sofrimento físico, mas também vergonha pública e identificação com aqueles que eram considerados indignos pela sociedade.
A relação com Isaías 53:12 não precisa depender apenas de uma associação feita pelo leitor. Em Lucas 22:37, antes da prisão, Jesus aplica a si a passagem sobre ser contado entre transgressores. Na leitura cristã de Lucas, essa referência ilumina sua humilhação. Ela oferece uma interpretação teológica, mas não informa a razão administrativa pela qual as autoridades escolheram aqueles dois homens para a execução ao seu lado.
O pedido e a resposta em Lucas
A passagem sobre quem foi crucificado com Jesus também destaca a importância da fé genuína. O homem arrependido não apenas pediu para ser lembrado; ele reconheceu que Jesus possuía um Reino, mesmo quando Cristo estava aparentemente derrotado, sofrendo e prestes a morrer. Essa declaração revela uma confiança que ultrapassava aquilo que os olhos podiam enxergar. Seu pedido se dirige ao Reino de Jesus, apesar da cena de aparente derrota. Por isso, o episódio dos dois malfeitores crucificados ao lado de Cristo é frequentemente associado à fé, ao arrependimento e à confiança na promessa de Deus.
O que significa “hoje estarás comigo no paraíso”?
Ao estudar quem foi crucificado com Jesus, uma das passagens mais marcantes está em Lucas 23:43. Depois de reconhecer sua própria culpa e pedir que Jesus se lembrasse dele em seu Reino, o homem crucificado ao lado de Cristo recebeu uma resposta inesperada: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”. Essa declaração está entre as palavras mais conhecidas de Jesus na cruz e apresenta uma mensagem de esperança em meio a uma situação de extremo sofrimento. Para compreender seu significado, é necessário observar o contexto da crucificação e a atitude demonstrada pelo homem que fez o pedido.
Na leitura habitual de traduções como a NVI e a ARA, “hoje” indica quando o homem estaria com Jesus. Há outra leitura, exemplificada pela Tradução do Novo Mundo, das Testemunhas de Jeová, que liga “hoje” ao ato de dizer a promessa. Mencionar essa diferença não equivale a afirmar que ambas tenham o mesmo apoio interpretativo: a discussão envolve sintaxe, contexto e compreensão do estado após a morte, não apenas deslocar uma vírgula arbitrariamente.
O núcleo da promessa é estar com Jesus. A palavra “paraíso” também aparece em 2 Coríntios 12:3–4 e Apocalipse 2:7, em contextos distintos. Essas referências ajudam a estudar seu uso, mas Lucas 23 não oferece sozinho uma descrição completa da vida futura. É preferível reconhecer seu alcance a preencher a cena com detalhes que ela não traz.
O que a passagem ensina sem extrapolar
Por fim, a história de quem foi crucificado com Jesus revela de maneira marcante a misericórdia demonstrada por Cristo. Jesus não ignorou a culpa daquele homem, mas respondeu ao seu arrependimento com uma promessa de esperança. O episódio mostra que a misericórdia divina não depende da posição social, do passado ou da quantidade de tempo que alguém teve para mudar. A cena da cruz apresenta um homem condenado que, nos últimos momentos de sua vida, voltou-se para Jesus e encontrou nele graça e acolhimento. Ao mesmo tempo, a passagem convida o leitor a refletir sobre sua própria resposta diante de Cristo: rejeição, indiferença ou fé verdadeira.
O texto oferece esperança ao culpado que se volta para Cristo; não oferece garantia de que todo adiamento de arrependimento terminará da mesma forma. Também não permite julgar a trajetória inteira dos dois homens a partir de informações que os Evangelhos não registraram.
Síntese
Dois condenados foram crucificados ao lado de Jesus, e os quatro Evangelhos não lhes dão nomes. Comparar os relatos mostra tanto o acordo sobre a cena quanto diferenças na apresentação das atitudes. Em Lucas, o pedido pelo Reino e a promessa de estar com Jesus concentram o sentido do episódio: culpa reconhecida e misericórdia recebida, sem a necessidade de uma biografia inventada.
Igor Zomer é o responsável pelo Portal Voz da Fé, um site dedicado à publicação de conteúdos sobre a Bíblia, personagens bíblicos, contexto das Escrituras e temas relacionados à fé cristã.

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